Caramba.
Faz tempo. Um belo tempo.
Lembro que teve um ano no qual eu postei só uma vez. E quando bem mais jovem, durante um período postei todos os dias.
Mas isso foi há muito tempo.
Até porque cada dia mais as pessoas não tem vontade de ler mais nada.
Ler dá trabalho. Cansa.
Quem consegue ler qualquer coisa nessa correria do dia a dia?
Até nos veículos de comunicação temos visto casos de "ajudinhas" à quem não tem esse tempo todo para se informar.
Basta que se coloque tudo em tópicos, que o texto seja "lido" pela IA pra você não perder tempo passando seus olhos pelas linhas, ou ainda basta um resumo do texto.
E o editor? Coitado. Onde fica nisso?
Estou a poucos semestres de me formar em Jornalismo. E confesso que o futuro é amedrontador.
Não pelo fato de ingressar nessa carreira, mas por ver que até nos meios que já mencionei, a mania de "enlatar" as coisas tem vigorado.
Hoje já existem "novelinhas" de dois minutos de duração.
Claaaaro! Imagina alguém parar quarenta e quatro minutos que é o tempo médio de qualquer programa na TV devido os comerciais que somados, dão uma hora?
TV? Já era. Hoje a bola da vez é o streaming. E não me entenda mal! Sou um grande entusiasta e consumidor dessa mídia. Mas tela vertical? Produções com dois minutos?
Não me admira que os adolescentes e os jovens de hoje estejam cada vez mais passando por problemas de crises de ansiedade e depressão.
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| Imagem: iStock |
Que aflição que dá ficar dentro de uma sala de cinema, onde você não pode pausar o filme quando quer para dar atenção àquele seu amigo que tem mandado mensagem na sua rede social predileta, não é verdade?
Isso sem contar aqueles "véi" (como eu) que ficam chiando quando você acessa a tela do seu smartphone e a luz dele manda pro espaço a escuridão que você acha desnecessária àquele ambiente...
Talvez por isso hoje em dia, eu prefira esperar um, dois meses, as produções ficarem disponibilizadas no streaming. É menos cansativo. Menos estressante. Menos decepcionante.
Um colega de curso disse que hoje em dia, os pais precisam se render à essa loucura dos filhos sobre correr com tudo, com o fato de não ter paciência para nada. Acho que Deus me preservou de não ser pai ainda. Meus amigos que já o são merecem uma medalha. Acredito ser um grande desafio educar nessa época onde tudo é passageiro.
O título deste post remete ao quê já mencionei. ao invés de a leitura ser incentivada, quanto mais subterfúgios existirem para que as pessoas "não percam seu preciosíssimo tempo" lendo, melhor.
Já já vão falar que ler é coisa do passado. É só ver o número de "audiolivros" aumentando.
Não sou contra as novas tecnologias. Ser assim seria ir contra a maré, dar murro em ponta de faca.
Mas não consigo deixar de imaginar para onde é que caminha o nosso futuro.
Vejo gente se gabar que leu um tanto de livros num determinado período de tempo, e pergunto como conseguiu. A resposta: "Ouvindo!"
Como já falei com minhas queridas do clube de leitura (98% são mulheres, e 2% somos homens e ainda assim o que efetivamente participa sou somente eu), pra mim, o verbo "ler" é diferente do verbo "ouvir". Ler consiste em você passar os olhos pela tela, compreender o quê se vê na página ou na tela. Eu mesmo amo meu Kindle. Ouvir, você coloca lá o áudio e vai fazer qualquer outra coisa. Lendo, as palavras entram pelos olhos. Ouvindo, pelos ouvidos.
Penso que o conteúdo chegará para ambos, independente de como será consumida a obra. E afinal de contas, cada um faz o quê quiser, do jeito que bem entender. Não sou ninguém na fila do pão para tecer regras (pra não usar a outra palavra que acho que você já fez ideia), nem desejo e nem desejaria fazê-lo. E tá tudo bem, como diz a psicóloga.
Hoje, dou meu pitaco no recorte do tempo através dessa mídia que, só de olhar, muita gente desistiu de consumir só pelo tamanho do textão.
Se você chegou até aqui, você é parte da resistência.
E estamos juntos.
Vamos ver aonde isso tudo vai dar.
Que os deuses e deusas da Literatura nos protejam.

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