domingo, 16 de agosto de 2026

Constatação


Fiz uma viagem no tempo.
Vi que o post anterior foi o menos visitado da história desse blog. Justamente onde tratei do tema da preguiça que as pessoas tem de ler com tamanha veemência de minha parte.

Pode ser esse também um dos motivos pela tamanha falta de interesse, neste caso.

Ainda bem que não dependo deste blog para viver! Estaria em maus lençóis!

Disto isto, como já mencionei no início deste post, fiz uma viagem no tempo.
Sempre fui dado às emoções. E ler tudo o quê escrevi em determinadas épocas, me remeteu ao tempo em que me considerava muito saudosista. Não que ainda não o seja. Mas acredito que a gente vá ficando calejado com o tempo, e por isso todos mudamos. Mudamos nossa maneira de ver o mundo, as pessoas, as realidades, e a nós mesmos.

Imagem: Boris Thaser

Acredito que pro jovem de hoje em dia, este texto não diga muita coisa.
Lá atrás, quando uma pessoa mais experiente me dizia alguma coisa no sentido de que "a vida ensinaria", isso me acertava de outra maneira. Não que eu não acreditasse. Mas ainda não era tempo de me preocupar com aquilo. E hoje, depois de dezenove anos de blog, percebo que realmente a gente muda. Em relação a maneira de vermos o mundo, as pessoas, as realidades e a nós mesmos.

Que o mundo muda, a gente sempre soube.
Lembro do meu saudoso pai dizendo que "os tempos são outros", que "as coisas estavam mudando muito rápido". E olha que as redes sociais nem existiam. Muito menos a IA. Existiam projetos, ideias sobre isso? Pode ser que sim. Mas seria assunto só para dali a décadas.

E cá estamos nós, hoje, em pleno 2026. 

Comecei esse blog numa terça-feira. Num 18  de setembro, lá em 2007.
E meu Deus... Quanta coisa registrei por aqui... Quanta coisa vivi. Quanta coisa queria ter vivido. 
Quantas pessoas entraram e saíram da minha vida. Em quantas vidas entrei, estive presente e hoje não estou mais...

Faz parte do processo. 
Constatação de que tudo muda. E que tudo precisa mudar. Afinal, o mundo vive girando.

Existe uma frase (não se e um ditado) que diz que o rio nunca é o mesmo. As águas estão sempre correndo. Tenho que os segundos em nossa vida fazem de nós rios, corredeiras.

Quem está hoje, pode não estar amanhã, e vice-versa. Resta a certeza da incerteza.

Acho que escrevo cada vez mais para um número menor de pessoas. Não só pelo meu pecado da irregularidade, que desanima qualquer um de acompanhar qualquer coisa. Mas porque, em tempos de algoritmo, quem não persiste, desaparece. 

Eu sempre disse que a inconstância mata qualquer coisa.

Quem diria que na era da informação, isso soaria de forma tão atual.

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